IGP-M para Aluguel: O Índice Mais Controverso

O IGP-M já foi o índice mais usado para reajuste de aluguel no Brasil, mas sua alta volatilidade causou problemas sérios nos últimos anos. Entenda os riscos antes de usar.

-4,30%
IGP-M 12 meses (dez/2024)
37,09%
Pico em 2021
60%
Peso do atacado

O que é o IGP-M?

O IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado) é calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e mede a inflação de preços desde matérias-primas até consumo final. Historicamente era o índice padrão para contratos de aluguel.

Por que o IGP-M ficou problemático?

1. Alta volatilidade

O IGP-M pode ter variações extremas. Em 2021, durante a pandemia, chegou a inacreditáveis 37,09%, enquanto o IPCA foi de 10,06%. Já em 2024, o IGP-M ficou negativo em -4,30%. Essas oscilações bruscas tornam impossível planejar o orçamento.

2. Composição do índice

O IGP-M é formado por três componentes:

  • IPA (Atacado): 60% do índice - preços no mercado atacadista
  • IPC (Consumidor): 30% do índice - preços ao consumidor final
  • INCC (Construção): 10% do índice - custos da construção civil

O problema é que 60% do índice reflete preços do atacado, fortemente influenciados pelo dólar. Quando o dólar sobe, o IGP-M dispara - mesmo que sua vida não fique mais cara na mesma proporção.

O drama de 2021: Reajustes absurdos

Em 2021, milhares de inquilinos brasileiros foram pegos de surpresa. Um aluguel de R$ 2.000,00 reajustado pelo IGP-M saltou para R$ 2.741,80 - um aumento de R$ 741,80 por mês! Muitas famílias não conseguiram pagar e tiveram que se mudar.

O Judiciário foi inundado de processos. Inquilinos alegavam que o reajuste era abusivo e quebrava o equilíbrio do contrato. Em muitos casos, juízes limitaram o reajuste ou permitiram a troca do índice.

Comparação: IGP-M vs IPCA nos últimos 5 anos

AnoIGP-MIPCADiferença
2024-4,30%+4,62%-8,92 p.p.
2023-4,36%+4,62%-8,98 p.p.
2022+5,45%+5,79%-0,34 p.p.
2021+37,09%+10,06%+27,03 p.p.
2020+23,14%+4,52%+18,62 p.p.

Quando o IGP-M pode ser vantajoso?

Apesar dos riscos, existem situações em que o IGP-M pode beneficiar uma das partes:

Para inquilinos (quando negativo)

Em 2023 e 2024, o IGP-M ficou negativo (-4,30% em dezembro/2024). Quem tinha contrato com esse índice deveria, teoricamente, pagar menos que antes. Porém, muitos contratos têm cláusulas que impedem a redução do aluguel, mantendo o valor anterior.

Para proprietários (em períodos de dólar alto)

Quando o dólar dispara, o IGP-M tende a subir muito mais que o IPCA. Para proprietários, isso pode parecer vantajoso no curto prazo. Mas atenção: reajustes excessivos aumentam o risco de inadimplência ou perda do inquilino.

Riscos do IGP-M para ambas as partes

Para o inquilino

  • Surpresas no bolso: Impossível prever quanto vai pagar daqui a 12 meses
  • Risco de não conseguir pagar: Reajustes abruptos podem forçar mudança
  • Desequilíbrio contratual: Pode pagar muito mais que a inflação real

Para o proprietário

  • Inadimplência: Reajustes altos demais levam a não pagamento
  • Perda do inquilino: Bons locatários procuram imóveis com índices estáveis
  • Processos judiciais: Risco de ter o reajuste limitado na Justiça
  • IGP-M negativo: Pressão para reduzir aluguel (raramente acontece na prática)

Como sair do IGP-M?

Se você tem um contrato com IGP-M e quer trocar de índice, siga estes passos:

1. Converse com a outra parte

A troca de índice exige acordo entre inquilino e proprietário. Mostre dados que comprovem que o IPCA é mais justo e estável. A maioria aceita quando entende os benefícios mútuos.

2. Faça um aditivo contratual

Não basta acordo verbal. Assinem um aditivo ao contrato especificando o novo índice, a data de início da mudança e como será calculado o primeiro reajuste sob o novo índice.

3. Defina o índice de referência

Escolha um índice mais estável como IPCA ou INPC. Deixe claro se será usado o índice acumulado de 12 meses ou outro período específico.

4. Registre a mudança

Se o contrato for registrado em cartório, registre também o aditivo. Isso dá segurança jurídica para ambas as partes.

Atenção: IGP-M em contratos novos

Evite assinar novos contratos com IGP-M. Com a experiência de 2020-2021, tanto inquilinos quanto proprietários devem preferir índices mais estáveis. O mercado imobiliário brasileiro está migrando para o IPCA como padrão.

Jurisprudência: O que dizem os tribunais?

Os tribunais brasileiros têm se posicionado sobre reajustes abusivos pelo IGP-M. Algumas decisões importantes:

  • Limitação de reajustes: Juízes podem limitar reajustes considerados excessivos que quebrem o equilíbrio econômico do contrato
  • Troca compulsória: Em casos extremos, a Justiça pode determinar a troca do índice
  • Preferência pelo IPCA: Crescente tendência dos tribunais em favorecer o IPCA por refletir melhor o custo de vida

Conclusão: Vale a pena usar IGP-M?

Na maioria dos casos, não. O IGP-M traz mais riscos que benefícios para ambas as partes. Sua volatilidade extrema cria insegurança, dificulta planejamento financeiro e pode gerar conflitos.

O IPCA é uma alternativa muito superior: é estável, reflete o custo de vida real, tem aceitação judicial e traz previsibilidade para inquilinos e proprietários. Se você está negociando um contrato novo ou renovação, priorize o IPCA.

Compare os índices na prática

Use nossa calculadora para ver a diferença real entre IGP-M, IPCA e INPC